segunda-feira, 19 de junho de 2017

Entrevista de Virgílio Lopes


A Academia Sporting celebra daqui a dois dias o seu 15º aniversário e Virgílio Lopes, o seu director, falou á Agência Lusa sobre as instalações e formação do Sporting: "Academia do Sporting vai continuar a formar talentos para a equipa principal", "Durante muitos anos não se mexeu nesta casa", "O Sporting não é só uma escola de extremos", "O Sporting continua a fazer diferente de todos os outros", Os jogadores que saem do Sporting têm qualquer coisa de especial", etc. No fim um 11 de Luxo!


 "Durante anos não se mexeu" na Academia do Sporting


"A Academia representa um conjunto de instalações e infraestruturas que permitem trabalhar o futebol profissional e de formação com muita mais qualidade e de forma integrada. Na altura eram instalações de topo, mas que precisam de ser melhoradas e reparadas constantemente. Durante muitos anos não se mexeu nesta casa, apesar do aumentar da exigência, do número de equipas e de atletas, mas nos últimos quatro anos foram feitas melhorias significativas e que vão continuar, pois não podem ser todas feitas ao mesmo tempo".

Virgílio Lopes lembrou que a Academia foi um projeto pioneiro em Portugal, explicando que há muitos anos, ainda na sua altura de jogador, já se falava da necessidade desta infraestrutura, vista em outros clubes no estrangeiro.

"As condições são ótimas hoje em dia e o importante é trabalhar para as manter e não acontecer no futuro o mesmo que aconteceu, que esteja tudo parado e que se fique com a sensação que estamos a ficar para trás".

A Academia do Sporting, inaugurada em 21 de junho de 2002, tem vários campos relvados e sintéticos, ginásios, refeitórios, auditórios, gabinetes médicos e de apoio, para além da capacidade para acolher atletas, sendo 60 os que vivem atualmente em Alcochete.
Além da formação, também o futebol feminino, a equipa B e a equipa principal trabalham diariamente em Alcochete, onde os comandados de Jorge Jesus têm uma área própria destinada ao seu trabalho.

"O orçamento é muito elevado e tem aumentado de forma sustentada. Na próxima época vai aumentar novamente. Temos aqui mais de 100 treinadores e uma série de funcionários, desde o departamento clínico ao 'scouting' e os funcionários precisam de condições. Isto faz-se a partir das pessoas, porque só as instalações não chegam. Estamos a falar de um orçamento de uma quantidade de milhões", reconheceu, sem especificar o valor.

Pela Academia do Sporting, entre atletas dos vários escalões de formação e também do futebol feminino, passam diariamente mais de 250 jogadores, a que se juntam um número idêntico que trabalha ainda em Lisboa, pois até aos sub-13 os atletas estão ainda no Estádio Universitário.
Virgílio Lopes destacou ainda a importância das escolas do Sporting espalhadas pelo país e pelo mundo, referindo que ajudam a identificar talentos.

"Também fazemos recrutamento nas escolas de formação do Sporting espalhadas pelo país e pelo estrangeiro. Temos aqui um atleta que veio do Canada e joga cá, nos sub-14. Vamos recrutando sempre que encontrámos algum talento", rematou.



Academia do Sporting vai continuar a formar talentos para a equipa principal


"O objetivo final e palpável do trabalho que se faz aqui, são os jogadores que chegam à equipa profissional. Numa primeira etapa à equipa B, que é um primeiro patamar profissional, e depois à equipa A. Trabalhamos para ter jogadores com qualidade e competência para jogar na equipa principal e temo-lo feito, existem anos em que sobem mais e outros menos, mas a média é de três por época", disse Virgílio Lopes, em declarações à Lusa.

Numa altura em que a Academia em Alcochete, que foi a casa da seleção portuguesa no Europeu de 2004 disputado em Portugal, vai assinalar o seu 15.º aniversário, o responsável explicou que, por norma, os jogadores formados no clube acabam por se conseguir afirmar na equipa principal.

"Não chega ter jogadores no futebol profissional, tem de se ter jogadores competentes, com qualidade e talento. Depois de chegarem ao futebol profissional têm de lutar pelo seu espaço e pelas suas oportunidades, pois no futebol ninguém dá nada, as coisas conquistam-se com trabalho. Mas com mais facilidade ou não, os jogadores da formação que chegam à equipa principal acabam por se impor e jogar", salientou.

Virgílio Lopes disse que os atletas formados no clube dão "rendimento desportivo e até rendimento económico", mas alertou que é preciso ter alguma paciência, contrariando o habitual: "somos um bocadinho apressados nestas coisas".
O diretor da Academia considerou ainda que é um erro definir a formação do Sporting como uma escola de extremos, apesar dos muitos formados no clube com sucesso, casos de Cristiano Ronaldo ou Figo, que conquistaram o galardão de melhores jogadores do mundo.

"O Sporting não é só uma escola de extremos, o Sporting faz jogadores para todo as posições e vai continuar a fazer. Em todas as equipas da formação temos atletas com todas as possibilidades de chegarem ao futebol profissional. Tem que se ter paciência, eles têm talento, mas têm que aprender, talento só não chega".

A equipa principal do Sporting conta com vários jogadores formados no clube, como Adrien Silva, William Carvalho, Rui Patrício, Gelson Martins, Daniel Podence ou Beto, além de muitos que jogam no estrangeiro, como Nani, João Moutinho, Eric Dier, João Mário ou Cristiano Ronaldo.

"O Sporting continua a fazer diferente de todos os outros, os jogadores que saem do Sporting têm qualquer coisas de especial, um toque diferente. Nos próximos anos, muitos vão ter condições de jogar na equipa principal, depois depende de muita coisa e isso faz parte do futebol".

O crescimento da aposta dos rivais na formação não assusta Virgílio Lopes, que refere que o clube "apenas se foca no seu trabalho", deixando também um alerta que não se pode transformar jovens em profissionais.

"Nós não estamos sozinhos, mas só nos preocupamos connosco, os rivais não são uma preocupação. Em relação aos jovens não temos de os focar apenas no futebol, porque eles não são profissionais. O aspeto social, a escola ou as relações familiares são importantes e não os devemos transformar em profissionais antes de o serem".

Nos 15 anos em que existe a Academia, a equipa principal de futebol ainda não conquistou nenhum título de campeão nacional, apesar de Virgílio Lopes afirmar que "já o mereceu em alguns anos".

"Já tivemos períodos longos sem ser campeões sem existir Academia, não existe uma relação de causa-efeito. Criar o vício de ganhar é importante e isso nós temos conseguido. Lutamos pelos títulos na formação em todos os escalões, apesar de isso não ser fundamental", disse, num ano em que o clube foi campeão nacional nos escalões de juvenis e juniores.

"O trabalho tem de ser sustentado e as coisas não se fazem por decreto. É preciso criar alicerces, ter estruturas e depois é que se pode ganhar de forma sustentada. Iremos começar a ganhar porque o trabalho tem sido bem feito e com responsabilidade e irá resultar no que todos queremos, que é ganhar".



Quinze anos de Academia e um 'onze' de luxo 'made in' Sporting


A Academia de Alcochete celebra esta quarta-feira 15 anos de existência, numa história de talento e superação que se escreve dia a dia com os jovens futebolistas formados nos últimos anos pelo Sporting.

Foi a 21 de junho de 2002, no mandato do antigo presidente Dias da Cunha, que foi inaugurada a 'fábrica' da formação do clube de Alvalade. Depois de revelarem estrelas como Paulo Futre ou Luís Figo, os 'leões' criaram a estrutura que faltava ao departamento coordenado pelo 'pai' de muitos desses jovens: Aurélio Pereira.

Numa altura em que o Sporting era o campeão nacional - o último título remonta, precisamente, a 2002 - e jovens como Ricardo Quaresma e Cristiano Ronaldo já davam os primeiros passos no futebol sénior, num percurso anterior à Academia, o emblema 'leonino' adiantou-se à concorrência na formação e muitos foram os jogadores a terem uma oportunidade na equipa principal.

Dos vários que chegaram aos seniores do Sporting, é possível fazer um 'onze' com jogadores que deixaram uma marca de qualidade indelével em Alvalade. Numa seleção sempre algo subjetiva, Rui Patrício, Cédric, Daniel Carriço, Eric Dier, Miguel Veloso, William Carvalho, João Mário, Adrien Silva, Bruma, Nani e Gelson Martins destacaram-se dos demais.

Na baliza, Rui Patrício é há muito o rosto dos 'leões' e o histórico herdeiro natural de Vítor Damas. Lançado com 18 anos, a 19 de novembro de 2006, pelo treinador Paulo Bento, o guardião português, agora com 29 anos, já superou a marca dos 400 jogos pelo clube. Apesar de ainda perseguir o primeiro título de campeão nacional, foi um dos campeões 'leoninos' no Euro2016.

O setor defensivo ficaria entregue a Cédric, Daniel Carriço, Eric Dier e Miguel Veloso. O lateral direito, atual titular na seleção nacional, estreou-se pelos 'leões' a 04 de novembro de 2010, contra o Gent, num jogo para a Liga Europa, pela mão do técnico Paulo Sérgio. No entanto, seria preciso esperar algumas épocas para a sua afirmação plena até rumar ao Southampton, em 2015.

No eixo da defesa figuram Daniel Carriço e Eric Dier, dois jogadores que não estiveram tempo suficiente no clube para confirmar os créditos que traziam das camadas jovens.

Enquanto o português, que foi capitão em todos os escalões, ainda cumpriu quatro épocas como sénior, o inglês - único estrangeiro deste lote - repartiu as épocas 2012/13 e 2013/14 entre a equipa principal e a formação B, regressando ao país de origem para representar o Tottenham.

A lateral esquerdo surge a maior 'adaptação' neste conjunto: Miguel Veloso. Embora tenha construído a sua carreira como médio defensivo, o esquerdino, agora com 31 anos, jogou inúmeras vezes nesta posição. Despontou no Sporting na época 2006/07, com Paulo Bento ao 'leme', e vestiu a camisola do clube até 2010/11, saindo com mais de cem jogos no currículo.

No possível meio-campo deste 'onze', um trio que chegou a jogar em simultâneo: William Carvalho, Adrien Silva e João Mário. Adrien é o mais velho deste tridente, atualmente com 28 anos, e aquele que mais teve de porfiar para encontrar o seu espaço no Sporting. Estreou-se em 2007/08, mas só 'explodiu' como jogador de elite com Jorge Jesus desde 2015.

William Carvalho, de 25 anos, foi lançado por José Couceiro a 03 de abril de 2011, mas só se revelou verdadeiramente sob o comando de Leonardo Jardim, já em 2013/14.

Já João Mário, de 24, estreou-se em 2011/12 com Domingos Paciência na equipa, mas foi com Marco Silva que brilhou em 2014/15, trocando o clube um ano depois pelo Inter por 40 milhões de euros.

Por fim, um ataque muito móvel, assente na longa tradição 'leonina' de formar grandes extremos, como Paulo Futre, Luís Figo, Cristiano Ronaldo ou Ricardo Quaresma, e no qual figurariam Nani, Bruma e Gelson Martins.

Nani foi durante anos a maior transferência do Sporting, ao seguir os passos de Ronaldo para o Manchester United, em 2007, por 25,5 milhões de euros. Assinou duas épocas na equipa principal, tendo também já chegado numa fase tardia da sua formação à Academia, com 16 anos, mas que foi tempo suficiente para consumar um desejado 'regresso a casa' em 2014/15.

Com uma passagem ainda mais curta pelos seniores, Bruma cumpriu apenas meia época em 2012/13, com 13 jogos e um golo sob a orientação de Jesualdo Ferreira, até se envolver num diferendo com o Sporting que culminou na venda para os turcos do Galatasaray, a troco de cerca de 13 milhões de euros.

A terminar, o mais jovem membro desta 'elite de Alcochete' - Gelson Martins. O extremo, de 22 anos, foi lançado por Marco Silva em 2014/15, mas foi com Jorge Jesus que se tornou figura de proa da equipa. Já integrado na principal seleção portuguesa, o internacional luso poderá mesmo tornar-se em breve a maior venda de sempre dos 'leões'.

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