terça-feira, 26 de abril de 2016

Entrevista de JJ á agência de noticias espanhola EFE

      

JJ em entrevista à agência de notícias espanhola EFE, falou do Sporting mas também do benfica. Sem papas na língua, como é habitual, Jorge Jesus abordou temas como a falta de cultura de campeão, jogadores que formou , em que Clubes poderá treinar, etc.
Entrevista pequena mas poderia ser alvo de outras interpretações o que não seria muito bom nesta altura. Enfim , mais uma entrevista, na íntegra, a não perder.


"Jorge Jesus é toda uma autoridade no futebol português. O atual treinador do Sporting é célebre pelos seus títulos ganhos e os seus excelentes resultados na formação de talentos, e só coloca deixar o seu país caso apareça alguma oferta de um grande clube europeu.

Admirador de Johan Cruyff, Jesus cumpre a sua primeira temporada no Sporting, clube pelo qual assinou procedente do rival Benfica, ao que, em seis temporadas, fez três vezes campeão da Liga (2010, 2014 e 2015) e duas vice-campeão da Liga Europa (2013 e 2014).

Visceral dentro do banco e sem papas na língua perante os microfones, o controverso Jorge Jesus (Amadora, Lisboa, 1954) percorre, em entrevista com a EFE, o seu trabalho a polir talentos, comenta a sua forma de entender o futebol e confessa que o tratamento com os seus jogadores é "um pouco frio".

P: A sua transferência do Benfica para o Sporting no verão de 2015 pôs o futebol português de pernas para o ar.
R: Em Portugal foi uma decisão polémica. Fora do país não se tem a noção de quanta polémica foi. Fi-lo com naturalidade. Não sou um treinador de um clube, sou um treinador do mundo, que treina com paixão e sabedoria, como o fiz no Benfica e o estou a fazer agora no Sporting.

P: Um dos seus objetivos declarados é vencer a Liga dos Campeões. Em Portugal será complicado...
R: Só sairei de Portugal se aparecer uma grande equipa da Europa. Para ganhar dinheiro podia ir para o Catar ou para a China, mas não me apetece muito.

P: A lista de jogadores que se fizeram top com o senhor é de relevo: Ángel di María, David Luiz, Fábio Coentrão, Ramires, Javi García, Enzo Pérez, Nemanja Matic... Como?
R: Vem do trabalho específico que temos. O treinador é como um artista. Tem que ser um criativo, um visionário. Com o meu método de treino, eu ajudo o jogador a crescer sempre que tenha talento. Ajudamos a crescer jogadores que hoje são top do mundo. São tantos que perdi a conta.

P: De qual desses jogadores se orgulha mais?
R: Talvez (Nemanja) Matic (hoje no Chelsea). Não era médio defensivo, era médio ofensivo. Eu no Benfica mudei a sua posição. Ele próprio nunca teria imaginado que ia fazer carreira nessa posição. Atualmente é um dos melhores médios defensivos do mundo. Se estivesse comigo, seria o melhor. Agora é o segundo ou terceiro melhor (risos).

P: O Sporting, que é segundo na Liga, teve sempre muitos "pratas da casa". Isso beneficia a equipa, pois tem jogadores que em teoria estão mais identificados com o clube?
R: Cria um sentimento, uma paixão muito forte pelo clube. É como a sua casa. Mas é não só preciso promover essa cultura de amor ao clube, mas uma cultura de campeão. O Sporting tinha a cultura da academia, mas não a de campeão (não vence uma Liga desde 2002).

P: Muitos dos seus antigos jogadores louvam-no no âmbito tático, mas não tanto no pessoal.
R: Sou exigente e sou amigo, mas não confundo a disciplina com a ditadura, nem a opinião ou a democracia com o caos. O meu lema é a seriedade, o compromisso, o grupo à frente. Sou muito exigente e quem é exigente inevitavelmente é um pouco frio.

P: Treinou muitos argentinos e brasileiros. Como caracterizaria o jogador sul-americano?
R: O argentino tem mais conhecimento tático que o brasileiro. Mas a cultura tática está na Europa e não na América do Sul. O futebol sul-americano tem arte, criatividade, como o brasileiro, mas pouco conhecimento da cultura tática na vertente ofensiva e defensiva. O argentino tem uma grande intensidade no treino, tem muita confiança e tecnicamente é bom. Argentinos e brasileiros só aprendem tática na Europa, embora não com todos os treinadores.

P: Toni, no Sevilha nos anos 90; Carlos Queiroz, no Real Madrid nos 2000; Jaime Pacheco, no Maiorca também nos 2000; e ultimamente José Mourinho (Real Madrid) e Nuno Espírito Santo (Valência) são exemplos de treinadores portugueses que não triunfaram em Espanha. Porquê?
R: Acho que o Mourinho fez um bom trabalho no Real Madrid e o Nuno Espírito Santo fez um grande trabalho no Valência. Há uma mistura de êxito e de não êxito. De qualquer modo, os portugueses são dos melhores, senão os melhores treinadores do mundo. Segue-se muito a nossa metodologia de treino e de jogo. Por exemplo, não é por vaidade mas quando treinava no Benfica, a minha equipa, junto ao Barcelona, era a mais procurada nos chats de internet por gente que queria analisar os nossos movimentos táticos. Os técnicos portugueses estamos na vanguarda há anos, como na aplicação das novas tecnologias no futebol.

P: Esteve um mês em Barcelona para aprender perto de Johan Cruyff. Porquê?
R: O Barça tinha um futebol que gostava e quis vê-lo de perto. Adorava uma ideia de jogo criativa, com jogadores de muita qualidade individual cuja ideia era que ganhar apenas não bastava, havia que fazê-lo a dar espetáculo. O Cruyff também era o meu ídolo como jogador (Jorge Jesus foi jogador profissional nos anos 70 e 80).

P: Quantas horas de futebol vê por dia?
R: Muitas, não as 24 horas, mas quase. Sempre que estou em casa estou a consumir futebol.

Antonio Torres del Cerro" (LINK)

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