domingo, 11 de outubro de 2015

Presidente em entrevista ao Jornal Expresso.


O nosso presidente aproveita a paragem do campeonato para dar várias entrevistas e esta é ao Jornal Expresso já depois de ter falado ao ETV e TVI24.
Eis o extraído do texto de Pedro Candeias:

Bruno de Carvalho começou a semana no “Prolongamento” numa entrevista que se foi transformando num debate a quatro até acabar num frente a frente com Pedro Guerra. Durante aquelas duas horas e meia. O Presidente do Sporting atacou e foi atacado e levantou uma lebre: o Benfica paga refeições e lembranças a árbitros em valores que ultrapassam o limite imposto pela UEFA. Bruno confessa saber que a imagem que passa não é boa, mas é necessária para que a mensagem cole.



-Tem provas de que houve árbitros a usarem os vouchers de refeições?
Apresentei algo que me entregaram, palpável, onde estavam os convites.
Tenho ouvido declarações de árbitros que confirmaram que é verdade, que receberam. Aquilo existe. Agora, as autoridades e que têm de ver se isto é bonito, se é feio, se é possível, se não é possível. Alguns dizem que não usam o convite, mas é o mesmo que dizer que recebo algo valioso e mando para o lixo. A minha preocupação não é a arbitragem, mas sim o comportamento.
Uma pequenina cortesia? Não tenho problema nenhum. Acho que é corrupção? Também não. Mas isto ultrapassa a cortesia, não é uma camisolinha.

-Chega para condicionar árbitros?
Não acho que condicione. O que eu acho é que isto tudo devia ser transparente. Sabe que, um dia em que nos tornemos amigos, ser-lhe-á mais difícil fazer o seu trabalho, percebe?
Muitas vezes isso nem e consciente.
Quero que as entidades responsáveis digam se acham bem, ou acham mal.
Depois, acato a decisão. Na minha opinião, uma lembrança, a comida e a bebida, etc., é perfeitamente normal.
-Pedro Proença é seu amigo. Desde os tempos de faculdade. E ele arbitrou jogos do Sporting, já consigo como presidente. Estava condicionado?
(silêncio) Não condicionou, até porque, várias vezes, teve assim umas arbitragens pouco favoráveis ao Sporting. Dar um exemplo destes não estraga a regra, mas se você acha que o meu argumento não é válido, não o é.

-Porquê ir ao “Prolongamento”?
Quis dizer que o Benfica dá 24 refeições no Estádio da Luz e no Seixal, mais uma caixa muito bonita com uma camisola vintage, dentro de um saquinho muito bonito, e que, tudo isso, pode orçar num quarto de milhão de euros. Eticamente, pode ser questionável. Fiquei espantadíssimo com a atitude da APAF, a dizer que eu tenho de provar. Não tenho de provar nada, porque é verdade e os árbitros já assumiram que recebiam(o ex-árbitro Pedro Henriques assumiu ao jornal “O Jogo” a existência dessas ofertas).

-Mas porquê só agora?
Não sabia disto antes, só soube agora. É uma parvoíce dizer que estou a fazer isto para condicionar o Dérbi [25 de Outubro], porque ainda falta muito tempo para esse jogo.

-Quem está atrás do Football Leaks? Ou o que é o Football Leaks?
Quando há um site que diz que quer limpar o futebol, que vai denunciar tudo, que vai ser uma coisa do arco da velha… e de repente vejo 32 documentos do Sporting, 9 do FC Porto , 7 do Benfica, eu pergunto: o que é que você acha disto?

-Isso pergunto-lhe eu.
É um ataque cerrado ao Sporting.

-Do Benfica?
A PJ é que tem de verificar isso. Agora, isto são coincidências estranhas, quando dois comentadores ligados ao Benfica [Pedro Guerra e António Simões] apresentam documentos que, depois, aparecem no tal Football Leaks. Isto é como a história da mulher de César. Só pode ser uma coincidência tremenda [tom irónico] os documentos do Benfica que lá estão não terem relevância nenhuma, sempre sobre o Ola John. Quem fez aquilo, fê-lo com mais carinho pelo Benfica do que pelo Sporting.

-Está à espera de um contra-ataque?
Luís Filipe Vieira ter-se-á sentido atacado por aquilo que disse sobre ter sido cobardia não ter posto o Maxi no banco quando ele ia para o Porto? É o que se diz nos corredores. Se ele quer provas, pergunte aos corredores. Se é mentira, diga que é mentira. Ou então diga que ficou satisfeito de o ver no Porto, que bateu palminhas.

-E como é que esses documentos saem do Sporting? Os contratos estão num circuito fechado de pessoas, entre as quais o presidente do Sporting. Acha que há alguém de Alvalade a passar informação? Um delator? Ou acredita que é um hacker?
A PJ está a analisar todas essas possibilidades.

-E qual é a sua opinião? Delator ou hacker?
É como se lhe assaltassem a casa e só lhe tivessem levado a televisão. Você sente-se violado na sua vida privada, no seu espaço. E a casa passa a ser estranha porque alguém estranho esteve ali. Os cenários estão todos em aberto, não estranho que todos eles sejam possíveis, em conjunto ou em separado.

-O Carrillo volta a jogar no Sporting?
Está a decorrer um processo disciplinar e isso leva o seu tempo.
Nós tentamos renovar com ele, mas o comportamento dele não tem sido correto. Reconheço o direito do jogador em não querer renovar, mas também há os deveres dos funcionários. Quando nos apercebemos das coisas, tentámos vendê-lo; não deu. Ele disse-me duas coisas: “Sim vou assinar”, antes de ir para a selecção do Peru; “Não quero jogar mais no Sporting e vou sair de borla”, quando regressou da selecção. Foi de um extremo ao outro.

-Acha que ele vai para o Porto ou Benfica? Ou entre Cucujães e Mérida, há muitos outros clubes, como disse na TVI?
Olhe, achei brilhante a resposta do Cucujães (clube arranjou um patrocinador) e quero-me encontrar com eles, porque adoro gente criativa. O que eu sei é que ele não está comprometido com o Sporting. Este é um clube que vive de jovens jogadores, que estão a formar a sua personalidade, não vejo onde é que uma atitude como a do Carrillo se enquadra. Às vezes, temos de dizer não a um filho. E os filhos únicos são mais mimados. Eu não sou filho único.

-Não acha que se expõe de mais?
Para quem não gosta de mim, a minha imagem está desgastada desde o início. Podia passear com flores na mão e distribui-las pelo Rossio, como um político, a dar beijinhos a toda a gente, que nada mudaria isso. Tenho a imagem que tenho desde o primeiro dia. Vou contextualizar: vim para um clube à beira da falência, com uma organização estilo século XVIII, a leste de tudo, em que um se esforçava, o outro se dedicava, e ainda o outro se devotava, sem glória. E, num cenário destes, não tinha tempo a perder e fui obrigado a ser mais interventivo, pôr-me em campo.
Tinha de ser rápido e pôr as coisas a andar, porque não ando nisto há 20 ou 30 anos. Antes de eu chegar, o Sporting já era visto como o clube simpático, como ser do Belenenses e da Académica, por exemplo, e o nosso futebol estava a caminhar para uma bipolarização. Se o bolo do dinheiro for partido entre dois e não três, é melhor certo? Pergunto-lhe: quem é que podia ir àquele programa dar aquelas explicações?

-E lá foi. carregado de papéis na mão.
Ah, tinha de ir carregado de papéis, porque já tinha percebido que aquele programa era pródigo em papéis – papéis que não têm validade nenhuma.
Preparei-me sozinho. Sabia o que queria dizer e o que queria atingir naquele programa; sabia que isto ia ser falado durante toda a semana; sabia que, ao criar o nosso blogue, o Verdade Leonina, iria defender-me da contra-informação.
Se isto desgasta a minha imagem? Claro que sim. Se um dia vou abrandar? Espero que sim. Se a minha mulher gosta? Com certeza que não.
Há dirigentes que o acusam de ser inexperiente.
Já debati com ex-jogadores, jornalistas, comentadores, etc., mas nenhum deles sabe o que é ser presidente de um clube. E eu sei. Acontece que ainda não debati contra nenhum outro presidente, portanto só estive frente a frente com inexperientes.

-Debateria com Pinto da Costa?
Não teria problemas nenhuns, mas acho que não é o momento propício para se fazer isso. Aliás, acho que conversar e debater é bom, mas é preciso uma renovação nas mentalidades, uma nova vaga no dirigismo.

-E com Vieira?
(silêncio) Acho que tem de surgir uma nova vaga, de facto.

-O discurso e o tom e as palavras que usa – é estratégia?
Acho que muitos sportinguistas gostariam de dizer o que eu digo, talvez de uma forma menos assertiva ou com outro vocabulário. Aliás, até há adeptos do Benfica e do FC Porto que me querem tirar fotografias e me dizem que gostam da frontalidade. Eu quero chegar a todo o lado e fazer-me ouvir em todos os estratos sociais, do príncipe ao pedreiro. Um presidente de um clube grande lidera milhões. Mas este também é um problema do país, que o vejo muito dividido, sem caminho.

-Em quem é que votou?
Não vou dizer.

-Mas a sua família tem tradição PSD.
Tem, sim, mas não vou falar sobre isso, desculpe.
-Voltando atrás, porque é que dizem que é incendiário?
Sou considerado incendiário. Mas sou frontal, directo, por vezes corrosivo, detesto a estupidez, a hipocrisia e os falsos intelectuais. Agora, no meio disto tudo, alguém reparou que os incidentes com as claques do Sporting acabaram? Tochas? Assaltos? Facadas? E estou a dizer-lhe coisas que nos têm acontecido desde que cheguei. Focam-se no meu boneco e não no trabalho que fiz. Sou um elemento de claque? Sim, porque quase todos os sportinguistas da minha idade passaram por lá, pela Ponta Sul, na Juventude Leonina. Tinha 15 anos. Mas depois também passei pela mais calminha, pela Torcida Verde. Já percebi que estou fora de moda, porque a moda agora é fato sem gravata, uma coisa mais blasé, e eu continuo sempre a usar a gravata. Critiquem o boneco, sim, mas foi comigo que se começou a falar de fundos, de vídeo-árbitros, de bipolarização do nosso futebol; e sou bem recebido em Inglaterra e em Itália, onde me respeitam e até acham piada à história de eu ir ou não para o banco, da minha frontalidade. E já fui recebido pelo Blatter e pelo Platini. Digo algumas frases corrosivas? Sim. Mas a crítica só vê isso.

-Não só frases corrosivas. Há aquela das nádegas…
Vou contar-lhe porque disse isso. Tentei várias vezes falar da bipolarização, da estratégia do Porto e do Benfica na questão dos direitos televisivos, e a mensagem nunca passou. Zero. Falei nas nádegas e passou a ser tema. O meu tio-avô [o almirante Pinheiro de Azevedo) disse uma das frases que Portugal mais usa: “Vão à merda, e bardamerda.” E ninguém vê isso como algo terrível. Já nádegas. todos as temos, e toda a gente ficou incomodada com uma aula de anatomia. Eu sabia que ia chocar os sportinguistas, mas queria pôr o assunto na mesa e toda a gente passou a falar na bipolarização. Na TV, levava na cabeça durante uma hora, porque eu era um ordinário e tal; mas na hora seguinte já se falava do FC Porto e do Benfica. Já percebi que, em Portugal, é preciso falar grosso e mal, basta ver as audiências na televisão: estalos, broncas, etc. Tenho de representar um papel.

-Mas reconhece que é uma frase que não fica bem a um presidente?
Reconheço que é uma frase horrorosa, reconheço que não fica bem a um presidente, reconheço que foi eficaz.

-E é bonito ir ao “Prolongamento”?
Consegui fazer com que certas pessoas dissessem muitos disparates.

-Que nota daria à sua participação?
De zero a dez? Olhe, quanto à eficácia, 10. Quanto à imagem que passou, enquanto presidente do Sporting e a imagem institucional, entre o quatro e o cinco, como é lógico. Ninguém gosta de tudo o que diz e faz, nem a Madre Teresa de Calcutá.

-E aquele post no Facebook, após o jogo com o Vitória de Guimarães?
Nunca vi um post com 3 mil likes ser polémico… Lembro-me de uma intervenção de Luís Filipe Vieira. Há tempos, a dizer “basta”, por causa da arbitragem, e ninguém disse nada. Há algumas coisas que são permitidas a uns e não a outros. Ninguém avalia pela meritocracia. A meritocracia não é o fato ou a gravata; são os resultados. Me-ri-to-cra-cia significa ter tido resultados com o mé-ri-to de os ter o-bti-do.

-Está a gostar de trabalhar com Jorge Jesus?
Muito.

-Ele já o acordou às tantas da noite?
E vice-versa.

-Mas tanto um como o outro são conhecidos pelo mau feitio. Dá para conviver?
O Jorge é focado e determinado nas suas ideias; entrega-se e exige entrega. E eu sou exactamente igual. Mas eu percebo onde quer chegar.

-Onde quero chegar?
Toda a gente está muito curiosa, diria mesmo, ansiosa, para que eu e o Jorge nos demos mal, para que haja um conflito, para comprovar qualquer ideia. Eu não quero ser treinador e ele não quer ser presidente.

-E quis ser treinador com o Marco Silva?
Não, não quis. Nem me faça perguntas dessas, que quero dormir tranquilamente esta noite.

-Voltemos ao Jesus.
Estamos a aprender um com o outro: eu vejo como ele treina, e ele vê como eu faço a gestão do clube. Eu ando numa roda-viva, durmo quatro ou cinco horas por noite, como o Marcelo Rebelo de Sousa, mas estou a adorar.

-Qual foi a primeira coisa que fez quando ganhou a Supertaça?
Liguei à minha família e depois dei um grande abraço ao Jorge e disse-lhe: “Isto é o primeiro troféu de muitos.” E ele disse-me o mesmo. Não temos mau feitio, temos carácter. Carácter!
Queremos o mesmo: um quer ganhar, o outro ganhar quer; um trabalha 24 horas, o outro 24 horas trabalha. Temos pedalada um para o outro.

-O Sporting vai ser campeão?
É uma equipa jovem a habituar-se a novos métodos e o nosso objectivo era estar em primeiro lugar enquanto os processos não estão sedimentados, enquanto os movimentos não estão automatizados. Estamos dentro desse objectivo.

1 comentário :

Anónimo disse...

a uns e permitido tudo a outros nao disse tudo muito bom bruno de carvalho desmascara esses hipocritas incompetentes benfiquistas ja começou pela supertaça