terça-feira, 16 de junho de 2015

Jornalista italiano do Calciomercato defende Sporting


A comunidade sportinguista está mais que alerta para o caso do Sporting contra a Doyen e ainda bem. É pena não se falar mais deste caso porque parece que está tudo com medo destes interesses enormes que regem muitos Clubes e estragam o nosso futebol. 
Pippo Russo escreve em Caciomercato.com a cruzada do Sporting contra a Doyen mas mais que isso. Pippo fala no futebol que temos e nas personagens ilustres que vão depor a favor da Doyen em vez de defenderem um Clube de Futebol. É o fantástico mundo do futebol que temos , até quando um nosso ex-presidente e ex-funcionários também vão depor contra o nosso Clube. No entanto não estavam lá quando BdC recebeu as supostas pressões para aceitar a venda do defesa argentino.
Amorsporting encontrou este artigo publicado e traduzido em português no Blogue "oartistadodia.blogspot.pt" e penso que é um trabalho fantástico. O artista do ia refere e com muita razão de que gostaria que muitas mais pessoas/jornalistas falassem deste caso mas já estarão .....de férias ou então com o rabo entre as pernas!!
Amorsporting transcreve aqui o artigo, já dobrado, naquele que é um trabalho muito bom, quer de Pippo quer ....do artista do dia:

"Começaram ontem no Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), em Lausanne, as audiências sobre o caso que opõe o Sporting de Lisboa (Sporting Clube de Portugal, para os seus adeptos) e a Doyen Sports Investments. Um conflito que se arrasta desde agosto do ano passado e que envolve as receitas de um negócio de 20 milhões de euros. O assunto em causa é a transferência do defesa argentino Marcos Rojo do Sporting para o Manchester United, realizada no ano passado. A operação teve lugar na sequência de um conflito entre o clube e o jogador que, após se sagrar vice-campeão mundial, decidiu forçar a sua saída para uma liga mais rica e mais apelativa.

Num momento inicial o Sporting decidiu afastar o jogador da equipa, mas imediatamente voltou atrás com a decisão para não o desvalorizar. Acabaram por aceitar vendê-lo, contra a sua própria vontade. Uma venda que segundo Bruno de Carvalho, na altura presidente dos Leões há pouco mais de um ano, se realizou por um valor inferior aos 30 milhões que o clube queria receber, por ter sido colocado sob pressão. E o presidente sportinguista acredita que na origem dessa pressão esteve um sujeito bem identificado: a Doyen Sports Investments, que dois anos antes tinha financiado a compra de 75% de Rojo (vindo do Spartak Moscovo), em conjunto com 35% de Zakaria Labyad. Bruno de Carvalho considerou que estes factos justificavam a quebra do contrato da redistribuição dos rendimentos dos direitos económicos com a Doyen. Dos 20 milhões de receitas provenientes da venda do argentino, 3 foram entregues ao fundo para pagar o investimento inicial. E assim começou a polémica que ontem chegou ao TAS em Lausanne. O processo terá características muito particulares. 

A Doyen chamou uma série de dirigentes de clubes para testemunhar em favor de sua própria honorabilidade. Na realidade todos eles vão testemunhar CONTRA o Sporting CP. Não me parece algo muito respeitável. Mas cada um sabe de si, e os aliados da Doyen não parecem incomodados por se alinharem contra um clube e os seus adeptos a fim de defenderem os interesses de uma entidade financeira. A lista de testemunhas pro Doyen é longa, e é composta por personagens que pertencem a clubes que têm relações negociais com a Doyen. Os negócios antes de tudo. Mas isso não é o verdadeiro elemento de originalidade do processo que tem lugar no TAS. A lista daqueles que vão testemunhar em favor da honorabilidade da Doyen é embelezada com alguns nomes cuja boa reputação no futebol ninguém deve contestar. Há obviamente o caso de Adriano Galliani, que nas últimas semanas tem viajado de mãos dadas com o CEO da Doyen, Nélio Lucas. 

Outra testemunha abonatória da Doyen é o presidente do Porto, Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa. Ou seja, a figura de maior relevo entre os envolvidos no escândalo "Apito Dourado", que deu um duro golpe na credibilidade do futebol português. Uma história de tráfico de influências e árbitros amaciados através do uso de prostitutas. Durante essa época ficaram célebres as revelações feitas na autobiografia de Carolina Salgado, companheira de Pinto da Costa, sobre o dia em que o presidente portista deveria ter sido preso, mas em que acabou por evitar tal vergonha por providencialmente se encontrar em Espanha. 

Uma feliz coincidência. No final do processo judicial, em 2009, Pinto da Costa foi considerado ilibado das acusações. Mas para o resultado do processo contribuiu decisivamente a não aceitação das escutas telefónicas realizadas pela polícia judiciária. Algumas dessas escutas são muito instrutivas. Por exemplo, a chamada entre Pinto da Costa e o empresário António Araújo (preso enquanto Pinto da Costa estava em Espanha, e libertado mediante o pagamento de uma caução de €100.000), em que se falava de "caixas de fruta para enviar à noite para JP". Mas não menos importante é a chamada que existe entre o mesmo Pinto da Costa o super agente Jorge Mendes. O assunto do telefonema era um jovem guarda-redes do Fão, equipa da III Divisão (quarto escalão do futebol português), cujo irmão era comissário da polícia. Este último queria que o irmão desse um salto na carreira e recorreu aos dois homens do futebol. Apesar de o guarda-redes não ser grande coisa, tentaram satisfazer o pedido. Sabe-se como é, convém manter um polícia contente. "E se nós o enviarmos para a II B?", é a solução que os dois arquitetam

Mas acima de tudo, no rol de testemunhas honrosas pro Doyen, destaca-se a figura de Luís Godinho Lopes, o antecessor de Bruno de Carvalho como presidente do Sporting CP. Godinho Lopes, que foi considerado até pelo seu ex-vice Carlos Barbosa como "o pior presidente da história do Sporting". Mas nem é este o elemento mais estranho. Merecem ainda mais destaque outros dois elementos bizarros. O primeiro: oito meses atrás, a Assembleia Geral do Sporting SAD (Sociedade Anónima Desportiva) votou a favor da execução de uma acção de indemnização contra Godinho Lopes, pela gestão danosa que causou prejuízos à saúde financeira dessa mesma SAD. Também acusados nessa ação, a par de Godinho Lopes, estão Carlos Freitas, Luís Duque e José Filipe Nobre Guedes. Vale a pena salientar que, menos de um mês depois de o Sporting ter anunciado a abertura destes processos de indemnização, Luís Duque foi eleito presidente da Liga portuguesa. Esta escolha foi um claro ato de hostilidade contra o Sporting e Bruno de Carvalho. 

Quanto a Nobre Guedes, o seu nome também pode ser encontrado entre aqueles que vão testemunhar em favor da reputação da Doyen, bem como a de outro ex-executivo sportinguista: Pedro Sousa. Ex-dirigentes proeminentes do Sporting vão testemunhar contra o Sporting. Honorabilíssimo. O segundo elemento bizarro que pode ser identificado à margem do testemunho pró Doyen por Godinho Lopes é ainda mais saboroso. Godinho Lopes era, de facto, o presidente em exercício quando o Sporting acordou com o fundo Doyen a aquisição de Rojo e Labyad. É admissível um testemunho destas características? É uma pergunta mais que legítima, porque o efeito seria o mesmo que ver o gato a testemunhar a favor da raposa numa disputa com o Pinóquio. Senhoras e senhores, este é o espectáculo que será encenado durante estes dias no TAS em Lausanne. Uma história de honra e personagens ilustres. Onde a única, verdadeira honra em jogo é para o futebol: acabar com os ataques dos especuladores. Vamos desejar que os juízes saibam identificar a honra, e decidam em favor do verdadeiro futebol e da paixão de uma base de adeptos".
E mais não é preciso dizer...................................

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