segunda-feira, 8 de junho de 2015

As diferença entre Jesus e Marco.


Hoje publico um artigo , que encontrei no Jornal Record e da autoria de Rui Malheiro.
O titulo é " Existe um enorme fosso conceptual" e fala sobre as diferenças entre Marco Silva e Jorge Jesus. 
Mas publico porquê?? Porque muitos sportinguistas não percebem ainda porque o nosso presidente trocou de treinador. Aqui não está em questão se foi correcto o despedimento ou não mas sim a diferença dos sistemas utilizados pelos dois estrategas.
Eu continuo a dizer que o Sporting ficou a ganhar ....mas de longe
Passo a transcrever:

"Há um enorme fosso conceptual entre Jorge Jesus e Marco Silva. 
Para o técnico que conduziu o Benfica á conquista de 3 campeonatos, o sistema é a génese da ideia de jogo, de treino e de jogadores, como também do modelo de jogo. Já para o vencedor da Taça de Portugal , a fidelidade a um modelo, onde sublima o assumir do jogo através da posse acompanhado por uma pressão alta como antídoto ao recuo das linhas, é a origem da identidade que pretende incutir á equipa, defendendo que nunca se deve impor um sistema aos jogadores á espera que estes se encaixem.
Deste choque resulta mais um: o 4x3x3 é o sistema que Marco Silva entende como o mais capaz para ter a equipa equilibrada. 
Para Jesus , o 4x3x3 não é só um sistema de equipa pequena como também o mais fácil de anular. Daí a opção pelo 4x4x2.

Cedências
Marco Silva assumiu , há um ano, a sucessão de L. Jardim, que lhe deixou um legado que tinha tanto de óptimo como de pesado. O 2º lugar de 2013/2014, na sequência de um exercício com 35 jogos, acrescido de uma no negro para o FC Porto e Sp. Braga, era á partida , o maior inimigo de um treinador que vestiu o mesmo fato em 52 dos 53 jogos jogos do exercício. Aceitou trabalhar com um plantel no qual não assumiu papel crucial na construção , o que não o inibiu de procurar mudar a cara do futebol leonino, que passou a assumir os jogos em organização ofensiva com qualidade - o que contrastava com o perfil cínico e pragmático do seu antecessor- alternado progressões pelos três corredores. Contudo a forma como os adversário feriam as debilidades dos leões no momento de transição defensiva, fruto de um deficiente controlo da profundidade, obrigou Marco Silva , acossado pela cada vez mais agreste relação com Bruno de Carvalho, a fazer marcha-atrás no seu plano. Ao procurar expor-se menos defensivamente, perdeu fluidez a assumir o jogo e a controlá-lo com bola, e tornou-se uma equipa mais acutilante a explorar contra-ataques e ataques rápidos.

Inflexível 
Jorge Jesus exige um papel preponderante na construção do plantel , da mesma forma que não abdicará do 4x4x2 - mesmo que crie dinâmicas que possam conduzir a uma aproximação ao 4x3x3 - e de elevar a fasquia da qualidade futebolística , introduzindo o conceito de nota artística entre os de exigência e de vertigem. Compreender rapidamente os mandamentos do que define como a sua ciência futebolística será condição sine qua non para quem quiser entrar na carruagem. Por isso , não será de estranhar que Rui Patrício - guarda-redes de Clube grande, fortíssimo no 1x0 e capaz de protagonizar defesas decisivas  - William Carvalho - um 6 robusto fisicamente , sagaz posicionalmente e com qualidade técnica para ser referência nas saídas em construção  - João Mário - provavelmente o jogador que imagina para desempenhar o papel de "9,5" que também encaixaria bem no definidor Montero - , Carrillo -  incisivo no drible, desequilibrador e com argumentos como finalizador - e Slimani  - recuperando a referência fixa, acutilante no ataque ao segundo poste , que perdeu na Luz sem Cardozo -, formem o núcleo duro do onze. E ainda há Adrien , que necessitará de elevar a sua tomada de decisão em condução e construção para cumprir o exigente papel de 8. Contudo o maior desafio do ofensivista Jesus será o de continuar a demonstrar que o momento mais forte das suas equipas é o de organização defensiva. Isso exigirá muito mais dos avançados, médios e , principalmente , da linha defensiva, que terá de ser reformulada de forma a não cometer os habituais erros crassos na sua definição e no controlo da profundidade , o que obrigará á percepção dos conceitos de bola coberta e bola descoberta, robotizando a reacção dos jogadores á subida/descida da linha defensiva."

Como podemos ver existem diferenças entre os sistemas utilizados pelos dois treinadores. É normal chegar um treinador a um Clube e que queira mudar para o seu sistema predilecto. 
O que o Sporting não pode fazer é alterar os modelos das escolas de formação. A formação deverá jogar como jogam na equipa principal mas nunca se descurar outros sistemas.
Este texto é muito bom e Amorsporting não poderia de deixar de partilhá-lo consigo.

2 comentários :

NGB disse...

Não foi JJ que em 2011 disse qualquer coisa como:
" O 4-3-3, quando bem oleado, é o sistema mais dificil de parar"

E Villas Boas bem o demonstrou...

De resto , para além de alguma bacoquice do texto, não se deslumbram vantagens entre uma filosofia ou outra. A única diferença é que um tinha uma grande equipa, e o outro tinha uma equipa com alguns bons jogadores.

Rui Cerdeira Fernandes disse...

Talvez. O que me parece é que as tácticas devem-se ajustar aos jogadores que se tem ou então comprá-los para fazer a táctica que se pretende. No caso do Benfica estavam comprados para aquele sistema e que provavelmente serão comprados(alguns) para se utilizar o mesmo no Sporting. Eu não creio que o 4-3-3 seja o ideal pois fica a faltar um homem atrás do Pl e se lá for o João Mário fica a faltar ...no meio campo. Para uma equipa bem estendida no campo a pressão alta será difícil de efectuar. Teria que subir a equipa toda.
Mas obviamente que nós temos opiniões diferentes e até o mundo do futebol as tem. O interessante mesmo é jogarmos com extremos e não fazer como o Paulo Bento. Fez bem ao Sporting mas não aproveitávamos os extremos vindos da nossa escola.
SL