quarta-feira, 13 de maio de 2015

Principais temas da entrevista de Bruno , na SportingTV.


Bruno de Carvalho, ontem ,  deu uma entrevista á SportingTV e debateu certos temas relacionados com a equipa principal. 
Um dos temas mais quentes da sua entrevista foi ter afirmado, ainda não ter a certeza do orçamento para a próxima época, especialmente devido ao facto de ainda não ter fechado o patrocínio principal da camisola (realçou que os rivais também ainda não) e de não saber se entra na fase de grupos da Champions: 

Orçamento para 2015/2016:

Porque, se calhar, se o presidente do Sporting passa uma época inteira a pressionar, a estabelecer objectivos, se calhar tem uma visão que não é de mero futebol, mas daquilo que tem de fazer no dia-a-dia, que é gerir o clube. O Sporting, ao dia de hoje, que está a dois jogos do final da época e mais um da Taça de Portugal, não sabe que dinheiro vai ter na próxima época. E não sabe por estes dois motivos. Primeiro, camisola e, depois, não sabemos se vamos ou não chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões. O que significa que a rapidez com que nós gostaríamos de preparar a próxima época foi-nos cortada por aquilo que são as incertezas normais de se vamos ou não vamos, porque estamos sob a égide do fairplay financeiro e porque estamos sob a égide de uma reestruturação. Portanto, às vezes é muito fácil dizer que o Sporting precisa de um dez, de um ponta-de-lança, de um defesa, de um avançado… de tudo, mas, sobretudo, do que o Sporting precisava era de ter clarificado aquilo que é o seu orçamento e infelizmente não o tem".

Quanto ao mercado: 

"O Sporting está a olhar para o mercado, como todas as equipas têm de estar, mas de uma forma calma e serena. (...) Se olharmos para a próxima época, eu gostava que os sportinguistas tivessem uma noção, que às vezes não têm.
Eu realmente chego a um ponto que não consigo realmente compreender… Eu até consigo entender que os jornais foram feitos para vender e os programas para ter audiências, mas o que eu não consigo realmente compreender é de facto a forma como se constroem histórias e se mantêm histórias e se destroem histórias. Numa semana, fizeram-me este apanhado, foram falados mais de 27 jogadores para entrar no Sporting. Depois há a história das negociações que estão a decorrer e acabam todas num desastre. O Sporting perde os jogadores todos, vários jogadores vão para outros clubes, internacionais e nacionais. E posso-lhe dizer que desses 27 não acertaram em nenhum. Nem um.
Em segundo lugar é a saída de todos os jogadores do Sporting. Quem joga depois? Eu acho que sou eu, que é o único de que ainda não se falou. Quer dizer… começa a ventilar-se a possibilidade de sair, mas ainda não se falou… Ainda há fumo. Se calhar é o tema da próxima, agora que eu lancei o mote, se calhar é o tema dos próximos programas interessantíssimos que vão evoluindo nos jornais e na televisão. Mas, não acertaram num e, no entanto, leio directores de jornais a escreverem coisas como 'isto parece muito estranho, mas é verdade. O mercado está a mexer e muito'. Se calhar têm é de olhar um bocadinho para o lado ou um bocadinho mais para cima, porque, se está a mexer tanto, não é no Sporting. Nas saídas, temos coisas tão dispares, já saíram os jogadores todos e eu já disse e vou agora repetir: O Sporting não quer vender jogador nenhum. Ponto. Não quer! Já o tinha dito: não preciso. Agora, vou melhorar a minha semântica, para ver se as pessoas percebem melhor… Não quero!
Portanto, esta coisa toda de pegar numa notícia que é, por exemplo, a mudança de um agente de um jogador para dizer que ele muda para sair mais rapidamente do Sporting. Bem, qualquer dia um jogador compra um novo carro, para acelerar mais pela auto-estrada, para se ir embora. Quer dizer, isto é completamente descabido o que se passa em termos de Sporting. Para os sportinguistas interessa o seguinte: o Sporting já renovou com mais de 12 jogadores, mostrando que continua a sua aposta e o seu ADN na formação. E isso é uma verdade irrefutável. O Sporting está a olhar para o seu presente e para o seu futuro. Ninguém o pode negar".

Gestão do Clube e empréstimo obrigacionista:

"Tenho ouvido algumas dúvidas sobre este assunto. Os sportinguistas podem estar calmos e confiantes no que tem sido uma gestão de rigor, reconhecida a nível nacional e internacional. É importantíssimo estar no mercado. É importante estar no mercado, compensando os nossos associados, simpatizantes, investidores. Por isso, fizemos este empréstimo. Grande parte dele para pagamento do empréstimo obrigacionista anterior, conforme foi estabelecido no nosso programa de reestruturação. É a taxa mais baixa de sempre, o que significa que em termos de projeto estamos a trabalhar e que está a ser reconhecido o esforço que estamos a fazer. Não deixa de ser, porém, uma taxa muito atrativa. Não tenho dúvida nenhuma de que sócios, simpatizantes e investidores, todos vão querer participar mais uma vez na vida do Sporting e, sobretudo, continuar a ganhar connosco, visto que este projeto tem esta faculdade: podermos realmente recompensar quem acredita em nós e quem nos acompanha num projeto que queremos vencedor para todos. Não temos dúvida nenhuma de que uma taxa de 6,25% - se formos ver, após a dedução das taxas livratórias ficamos com uma taxa de 4,5% – é um dos produtos mais interessantes entre os que neste momento estão no mercado. Toda a gente vai subscrever".

Fair Play financeiro:

"Não há dúvida nenhuma de que o que a nossa equipa fez nestes dois anos foi absolutamente fundamental para esta decisão da UEFA. O Sporting tinha uma situação péssima. Nos dois anos que me antecederam, tivemos um prejuízo de quase 100 milhões de euros. Em termos de regras do fair-play, porque nem tudo entra nestas regras, seria qualquer coisa como 85 ou 90 milhões de prejuízo. Havia um limite! Que era muito mais abaixo. Foi uma caminhada interessante para nós, todo o processo de averiguação, todas as reuniões na UEFA. Os sportinguistas têm de perceber que a gestão actual do clube é dada como exemplo dentro da UEFA.
Com dois factores: o montante, e a possível consequência suspensa, é muito mais abaixo do que seria se nada tivesse sido feito e se os valores tivessem sido tomados por eles individualmente. Isto é, a dimensão do problema do Sporting era muito maior, para um valor que, mesmo ficando suspenso, é muito abaixo daquele que seria expectável perante os resultados desastrosos que tivemos no período em análise. Todo o esforço que foi feito, todo o processo de reestruturação, de execução, o dia a dia e as decisões que tomamos, mais ou menos agradáveis, é que são a execução de um programa de estruturação. Todas as apostas que fizemos no nosso clube fizeram com que o valor e as consequências, a tal possibilidade de só podermos inscrever 22 jogadores na Lista ‘A’, fossem muito inferiores ao que foi atribuído a outros clubes com problemas de dimensão similar ou inferior".

Momento complicado do clube:

"É o reconhecimento de que um esforço destes não deve ser punido, que deve ser recompensado. Por isso, a suspensão das sanções. Por isso, algo que os sportinguistas devem reconhecer. Estamos aqui com um objectivo: tínhamos dossiers muito importantes em mãos. Primeiro, a sobrevivência; depois, a sustentabilidade financeira, o crescimento da nossa possibilidade desportiva. Lembro que o Sporting são 35 modalidades, cerca de 700 pessoas, um passado não muito agradável no que são as regras e metodologias, quer contabilísticas, de organização, de desempenho, de avaliação de desempenho, desportivas. Acho que os sportinguistas devem todos de estar muito satisfeitos por um projecto que é seu. Não é o projecto da Direcção; é um projecto que é seu."

Auditoria: 

"Ficou claro que não queríamos fazer uma auditoria; queríamos fazer ‘a’ auditoria. Dávamos muito mais importância à qualidade, ao rigor, aos resultados do que ao cumprimento de prazos. Os sportinguistas queriam saber de uma vez por todas o que se passou, quando se passou e que actos é que foram realizados para chegarmos onde chegámos. A dimensão da auditoria que estamos a fazer não dava para fazer nos prazos iniciais, pelo estado em que estavam os documentos, pela complexidade que é fazer uma auditoria de gestão. Não é uma auditoria financeira. Temos de chegar à documentação e depois ter um conjunto de especialistas, coordenado pela Mazars, juristas da parte do futebol, do imobiliário, que fazem, depois, a descodificação dos elementos definidos. Há documentos que não existem e que estamos a tentar pedir às diversas entidades; há documentos que fomos pedir a entidades externas que demoraram tempo a chegar; houve documentos descobertos em Alvalade em arrecadações, perfeitamente inundados, com dossiers deitados no chão e encharcados…
Os sportinguistas sabem que já saíram dois resultados da auditoria e as pessoas ficaram conscientes e satisfeitas pela qualidade da auditoria que se fez. Na auditoria ao património, estamos a falar de milhares de documentos, centenas de empreitadas só no estádio, num período entre 1995 e 2013. Quando lhes for apresentado a 28 de Junho a fase do mobiliário e a fase 3, e depois em Setembro as fases 4 e 5, podem ter a certeza de que a qualidade da auditoria era a que os sócios há muito esperavam. Dando-me a escolher entre cumprir o prazo ou ter a qualidade que exijo enquanto sócio, sportinguista e presidente, a minha opção será sempre a qualidade da auditoria, para que esta seja ‘a’ auditoria".

Caso Somague: "Somague? Preocupa-nos tanto como o sol ou a chuva".

"O Sporting contratou uma empresa, a FICOOPE, uma das melhores em coordenação e fiscalização a nível nacional para conduzir este processo. Quisemos que fosse um concurso com regras perfeitamente claras e definidas, e que quer concorrentes, quer os próprios associados as conhecessem. Esta situação não é benéfica para o clube e por isso dissemos em comunicado que está no departamento jurídico a avaliação de todas as consequências inerentes. Em primeiro lugar, acho que 99 por cento dos sportinguistas não se deu ao trabalho de ler as 14 folhas que estão no site do Sporting. Era importante que perdessem um bocadinho de tempo nisso… Estamos a falar de um comunicado de quatro folhas e de pareceres anexos a esse comunicado em dez folhas. Em vez de andarmos a fazer meras perguntas sobre quem tem razão, devíamos ler porque pela primeira vez na história do Sporting um processo destes foi tão claro, tão transparente, com tanto cuidado em passar a informação às pessoas".
Somague? Não é forma de se lidar com uma instituição que tem 108 anos e mais de 3 milhões de adeptos. Isto não é obra pública!
Enquanto cidadão e presidente do Sporting, preocupa-me que haja um processo de intenção no dia 14 de Janeiro de adjudicação de uma obra, uma série de reuniões posteriores, um lançamento público. Não é uma brincadeira até porque não se brinca com os sportinguistas, com algo que é para eles absolutamente vital para o seu ADN e suas crenças: o pavilhão. O lançamento da primeira pedra, com a anuência da SOMAGUE, foi no dia 27 de Março. E pela primeira vez, a 2 de Abril, a SOMAGUE interpela a FICOOPE no sentido de fazer um qualquer pedido de verba. Não é forma de se lidar com uma instituição que tem 108 anos e mais de 3 milhões de adeptos. Isto não é obra pública! Houve um programa base de concurso e este tinha regras basilares que as pessoas aceitavam ou não. Houve pessoas que não quiseram concorrer ao pavilhão e outras que quiseram. A análise do programa base fê-los tomar esta decisão. A partir daí, não podemos achar que cumprir tudo é apenas para se cumprir até à fase em que se entrega uma obra mas quando se vai avançar para um contrato de repente quer-se mudar regras básicas. Não posso aceitar. O Sporting tem uma regra-chave: o preço ser global e não haver nem descidas nem subidas. O Sporting sabia a verba que tinha. Disse, aliás, ao mercado quanto tinha para fazer o pavilhão. Portanto, era fundamental ter o preço fechado e o conceito chave na mão. Ou seja, a obra termina, entregam-me a chave e eu vou lá inaugurar.
O meu compromisso é com os sportinguistas e todas as empresas que lidarem com o Sporting têm de aprender de uma vez por todas que o nosso compromisso não é tolhido por termos anunciado publicamente A, B, C ou D. Para lutar pelos direitos do Sporting não tenho problema nenhum em dizer às pessoas 'eu anunciei que era A, B, C ou D, mas é E, F, H'.  Não vale a pena virem tentar mudar regras a meio do jogo, porque esta direcção não tem esses problemas de comunicação, ou de ficar bem ou mal na fotografia".

Indemnização:

"Acho que isso deve preocupar tanto os sportinguistas como se amanhã faz sol ou chuva. Tem a sua relevância. Faz sol, vamos de manga curta, se fizer chuva vamos de chapéu-de-chuva. Isso não nos altera os objectivos do dia-a-dia. Esta situação é perfeitamente comum. Tentar criar confusão à volta dos assuntos… é o comum. Não havia contrato absolutamente nenhum. Havia uma intenção consoante uma base de um programa de concurso. Esta Direcção lutará sempre pelos direitos do Sporting. Nunca colocará em causa absolutamente nada que sejam os seus fundamentais direitos. É o mesmo raciocínio da auditoria. A qualidade e o bom serviço aos sócios do Sporting está acima de tudo. Nem que tenhamos de dizer que errámos nas datas. Ninguém tenha dúvidas de que o Sporting vai construir o pavilhão e não é esta situação que vai atrapalhar a obra. Já fechámos o contrato com outra empresa e os departamentos jurídicos estão a fazer as suas análises".

Alteração das datas relativamente à obra:

"Está expresso no comunicado que haverá alterações nas datas. Temos de mudar os projectos de licenciamento e pedir novos licenciamentos. Estamos na expectativa, porque já a primeira data está sempre dependente da aprovação por entidades externas. Aquilo que prevemos é que algo que deveria ser inaugurado em Dezembro de 2016, vai estar terminado em Dezembro em 2016, mas será inaugurado em Março de 2017. Há uma derrapagem de 3 meses. Isto não põe em causa nada. Dá é mais trabalho ao Sporting. Uma obra de 7,2 milhões ser posta em causa por 200/300 mil euros… Interrogo-me enquanto cidadão e sportinguista sobre o que está por detrás disto".

Poucos Sportinguistas no Sporting-1 vs Nacional-0(19.000 espectadores):

"Agora, há uma coisa que eu também digo aos sportinguistas: eu fico triste, muito triste, de não poder ter 100 mil, 200 mil, 300 mil sportinguistas na final do Jamor, mas não posso aqui deixar de dizer, enquanto presidente do Sporting, que fiquei muito triste numa meia-final importantíssima, em que o Sporting necessitava de vencer para chegar a esta final, pouco mais de 19 mil pessoas decidiram vir a Alvalade apoiar a equipa e isso é importante que os sportinguistas tenham essa noção. Nós temos de estar presentes em todos os momentos. O nosso objectivo é vencer, mas temos de estar presentes na caminhada toda. Não queria deixar de dar esta nota, sendo que os sportinguistas uma vez mais podem estar orgulhosos pela forma como se encarou esta Taça de Portugal".

Bilhetes para a Taça de Portugal:

"Pedi aqui um papel que é muito importante e que rapidamente o leio: em primeiro lugar, dizer que os actuais regulamentos que distribuem os bilhetes, prevêem 25 por cento para a FPF, 30 por cento para cada clube finalista, cinco por cento para a associação de futebol anfitriã e cinco por cento para a associação de cada clube finalista. Dizer que uma das propostas que beneficia, não só o Sporting, mas o Sporting, o Chaves, o V. Guimarães, todo e qualquer clube, é que passe a ser, como por exemplo em Espanha, 40 por cento para cada clube e não apenas os 30. Quero-lhe dizer que na final da Taça de 2012, o Sporting colocou em bilheteira, para venda aos sócios, 5.246 bilhetes. Esta direcção, nesta final da Taça que vai acontecer no dia 31 de maio, colocou em bilheteira 9.284 bilhetes. É um crescimento de 37 por cento.
Queria dizer-lhe coisas como: nunca a venda para a final da Taça de Portugal decorreu em tantos dias e da forma civilizada como está a decorrer. Pela primeira vez, o Sporting disse aos associados que os quatro primeiros dias de venda destinados aos detentores de Gamebox 12 anos, 11, 10 e nove eram bilhetes 100 por cento garantidos, não havendo necessidade de estar a dormir lá fora, de filas de horas sem fim. Agora, as pessoas ficam muito satisfeitas, porque só podem, infelizmente ir 30 mil pessoas ver o jogo e não serão todas do Sporting, quando 100 mil queriam ir? Claro que não, mas que esta Direcção estabeleceu pela primeira vez regras claras, regras que demonstram a nossa preocupação com os associados e com aqueles que têm sido fieis a este projecto."

Alvalade cheio para assistir á final da Taça:

"Verificando que a procura de bilhetes e a quantidade de sportinguistas é avassaladora perante a quantidade ínfima de bilhetes que recebemos; perante a realidade do clube, decidimos abrir as portas do estádio. Mas os sportinguistas precisam de saber isto: abrir as portas do estádio tem custos enormes, de segurança, de limpeza, de tudo. O Sporting tem um objetivo e não é só esta direção: o pavilhão. A Missão Pavilhão ainda não está fechada. Falta qualquer coisa como 490 mil euros para estar fechada. Conseguimos as autorizações para passar o jogo nos ecrãs do Sporting, conseguimos estabelecer um regime de festa com a possibilidade de as pessoas virem para Alvalade e poderem estar em ambiente de festa naquela que também é a sua casa. A única coisa que dizemos é que tem de haver regras para tudo isto e sobretudo bom senso. A nossa regra foi associar a abertura do estádio e as entradas aos donativos para a Missão Pavilhão.
Em primeiro lugar, para fomentar a Missão Pavilhão; em segundo lugar, para fazer sentir a uma direcção que tem sido rigorosa, com cortes substanciais em tudo, abrir as portas e ter de facto um prejuízo. Em primeiro lugar, os sportinguistas não são obrigados a vir; em segundo, é uma prova de maturidade e de sportinguismo vir; em terceiro lugar, fechar a Missão Pavilhão deve ser um objectivo de todos nós; quarto, que esta oportunidade que temos de vir para Alvalade seja a primeira vez, repito, a primeira vez, que o Estádio José Alvalade esgota a sua lotação. Porque o Sporting merece que os sportinguistas esgotem a sua lotação e porque, de uma vez por todas, eu gostava de ver o estádio cheio e que possamos todos em alegria receber aqui os jogadores e a equipa técnica com a Taça de Portugal".

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