quarta-feira, 20 de maio de 2015

"Plágio leonino":Entrevista com Carlos Vieira, vice-presidente do SCP.


Carlos Vieira , vice-presidente do Sporting e administrador da área financeira da SAD deu uma entrevista ao Diário de Noticias onde fala das finanças do Sporting.
É uma boa entrevista e sinceramente bem melhor e bem mais clara e "educativa" em comparação com a conferência de imprensa do nosso presidente.
Amorsporting na sua rubrica, "Plágio Leonino" , não podia deixar passar:  


"Entrevista a Carlos Vieira, vice presidente do Sporting e administrador da área financeira da SAD.

-Dos 30 milhões de euros das obrigações, 20 são para pagar anterior empréstimo. E os restantes 10 milhões?
Os 20 milhões deviam ter sido usados para pagar o último empréstimo obrigacionista, mas não foi o momento adequado. Ainda não tínhamos os capitais próprios positivos [passivo superior ao ativo]. Os restantes 10 milhões resultam da reestruturação. Vão servir para pagar dívidas anteriores, para converter passivo de curto prazo em passivo a longo prazo e para fundo de maneio. Não serão para comprar jogadores.

-A taxa de juro destas obrigações é a mais baixa de sempre. Mas não devia ser mais reduzida, dado que é bastante superior, por exemplo, a emissões feitas pela REN e por Portugal nos mercados?
A Sporting SAD é uma sociedade que tem apresentado capitais próprios negativos e prejuízos sistemáticos. Isto tem um historial relevante para o mercado. Estas emissões são um mercado interessante. A REN, por exemplo, pode ter um endividamento elevado, mas tem ratings de qualidade. Falta-nos esse histórico.

-Mas há sempre um risco. Mais elevado do que noutras empresas. Porque os investidores devem escolher as obrigações do Sporting?
Claro que há um risco. O investidor aposta com históricos. Sei de gente que investe, sempre que pode, nos produtos das SAD dos três grandes para distribuir o risco. Nunca houve uma implosão nestes processos. As SAD portuguesas têm cumprido.

-Isto não afasta o interesse de investidores institucionais? Não está mais focado no adepto?
Não. A informação não é pública, mas os primeiros dias revelam que há interesse de investidores institucionais. O mercado tem apetite por taxas de juro elevadas, devido à descida das mesmas, que tem levado à falta de procura. A última operação no mercado de obrigações foi da SAD do FC Porto [Junho de 2014].

-É aliciante repetir esta operação?
Graças ao acordo de reestruturação, a taxa de juro média dos empréstimos do Sporting é muito mais baixa do que as dos outros grandes. A razão para irmos ao mercado é porque precisamos de estar lá. É importante sermos escrutinados. O nível de exigência da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) foi muito superior ao habitual, porque temos pouco capital disperso em bolsa (free float).

-Está por realizar o aumento de capital de 18 milhões de euros, que prevê a entrada de novos accionistas. O Novo Banco vai entrar no capital da SAD?
Não, não vai entrar. Há adiantamentos feitos pela banca e há a expectativa de entrada de investidores para ajudar a resolver a situação da dívida.

-A promessa de novos investidores foi feita em campanha eleitoral. Quem assume os 18 milhões de euros até à entrada efectiva no capital da SAD?
Esta etapa faz parte do processo de reestruturação. Um novo investidor terá de entrar sempre com um euro por acção no capital, o dobro da cotação actual [49 cêntimos]. As necessidades de financiamento têm sido cobertas com a perspectiva de haver um novo investidor. Não há dificuldades financeiras por estes 18 milhões não terem sido supridos até agora.

-Esse investidor está encontrado?
Há várias entidades que estão interessadas em entrar com os 18 milhões de euros.

-E já há acordo?
Não posso mencionar isso. Até há procura por um valor superior a esse. Procuramos uma perspetiva global em termos de investidores, geografia e participação em algo mais do que a mera entrada em capital. Ou seja, se conseguir um investidor estrangeiro interessado em participar na gestão e que possa abrir mercados internacionais. Se fizermos uma aposta num parceiro que nos faça aumentar as receitas, melhor. Não procuramos quem queira investir apenas um milhão.

-Quando serão anunciados os investidores?
Não é urgente. O que importa é ver as coisas com calma, sobretudo numa altura complexa, em que procuramos novos patrocinadores. Se for em Junho ou Julho, excelente. Também poderá ser no final do ano.

-Quando é que os sportinguistas podem esperar que haja distribuição de dividendos?
A SAD tem resultados transitados negativos. Não pode distribuir dividendos. O Sporting só tem capital próprio positivo por causa dos Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis (VMOC), que não contam para o cálculo.

-Isso quer dizer, até 2025 [quando vencem as VMOC], dificilmente irão pagar dividendos?
Posso ter um resultado líquido positivo e resolver esta situação. Se tiver um lucro de 100 milhões, com transferências, posso usar parte para abater dívida ou investir em jogadores. Não posso adiantar mais nada a não ser que queremos ser a primeira SAD a pagar dividendos.

-Sete milhões de euros é um valor justo para um eventual naming do Estádio? Está a ser negociado em conjunto com o naming da Academia?
Os estatutos do Sporting não permitem a alienação do nome do Estádio. O naming está a ser visto juntamente com o patrocínio das camisolas e o nome da Academia. Há entidades que estão dispostas a controlar tudo e há empresas especificamente para o estádio, embora não tenha aparecido nada de especial. Dificilmente se encontra uma empresa com dinheiro que se veja só para patrocinar a camisola. Uma empresa nacional não tem.

-Está a dizer que o próximo patrocinador da camisola do Sporting não será português?
Sim. Não têm dinheiro para investir nos três grandes. O que nos é transmitido é que ou investe em todos ou não investe em ninguém.

-Mas são os tais sete milhões?
Isso tem de ser visto de forma interligada.

-É como um "pacotão"? Quem ficar com o estádio, fica com a academia e as camisolas?
Se chegar um investidor com 20 milhões de euros, temos de negociar. Se o Sporting chegar à fase de grupos da Champions, para uma marca internacional que exporte, vale mais do que se estiver apenas nas competições nacionais.

-O Sporting está em risco de disputar o play-off da Liga dos Campeões sem patrocinador?
Não. Há a possibilidade de jogar com o patrocinador só para o play-off. Depois, veremos se continua.

-Esse patrocinador para estes dois jogos já está assegurado?
Não é difícil arranjar um patrocinador só para dois jogos, mesmo português. Se o patrocínio custa 3,25 milhões de euros e faço 30 jogos no campeonato, cada camisola vale cerca de 100 mil euros, em média. O ideal é definir os sponsors com um ano de antecedência. No limite, se quiser vender camisolas evento a evento, é vendida três vezes acima do valor normal. Podemos mudar de patrocinador todos os jogos. No limite, pode render mais dinheiro. A área comercial está pronta para trabalhar em qualquer cenário.

-O naming pode ser votado na assembleia geral em Junho?
Não. O campeonato começa em Agosto. Isto vai até "às últimas". Estamos sempre à espera de uma melhor proposta.

-Há conversações para a Guiné Equatorial ser patrocinadora do Sporting?
Abrimos lá uma academia e há uma relação interessante com eles. Se me disser que há uma empresa desse país interessada em patrocinar o Sporting, isso é possível.

-E o governo?
Não estou a ver.

-Mas há essa possibilidade, apesar dos possíveis danos para a imagem do Sporting?
Não vejo porquê. A Guiné Equatorial pertence à Comunidades dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

-Se o tribunal der razão à Doyen, no caso Rojo, o Sporting tem de pagar 12 milhões de euros... está confiante em vencer o processo?
Estamos confiantes de que temos razão, se essa razão nos vai ser dada parcial ou totalmente no tribunal... agimos em consciência, consideramos que nós agimos bem e os outros mal. É um processo complexo que vai ser dirimido.

-E se o Sporting não ganhar?
Temos de arranjar os 12 milhões.

-Isso não será problema tendo em conta o cumprimento do fair play financeiro?
Seria um problema se ficasse a zero no final deste exercício e ficasse com 12 milhões negativos. Em Dezembro tivemos 24 milhões de lucro, se esses 12 milhões fossem contabilizados tínhamos 12 de lucro. Estamos à vontade.

-Benfica e FC Porto vão ser testemunhas da Doyen...
Ao que percebi vão dizer que o contrato que nós contestamos é igual aos contratos que têm com a Doyen. Duvido. Terei interesse em ver esses contratos. Temos a convicção de que os dois contratos específicos, Rojo e Labyad, são leoninos. E não são no sentido do Sporting.

-Segundo o relatório e contas de 31 de Dezembro o valor do plantel do Sporting é de 25 milhões de euros. O do Benfica é de 94,4 milhões e do FC Porto é de 85 milhões. Há uma disparidade porque muitos atletas do Sporting são da formação. Para voltar a ganhar, o Sporting precisa que os outros grandes sigam a política de contenção de custos?
Isso tem prejudicado o Sporting porque os investidores olham e vêem a disparidade do valor dos plantéis. A redução de custos [nos outros dois clubes] é uma inevitabilidade, não tenho dúvidas. Na Europa, vamos ter 20/30 clubes e todos os outros vão ter de se ajustar à realidade. Não há em Portugal uma estrutura de receitas para ter um plantel como o do FC Porto.

-E um plantel como o do Benfica?
Há a perceção de que com os atletas que estão em final de contrato o Benfica só renova por metade ou menos.

-Já disse que o Sporting não precisa de vender jogadores. Que fontes de financiamento alternativas o Sporting tem para manter todos os seus elementos mais importantes?
Temos uma estrutura de receitas para ter um clube arrumado, sempre que vem uma venda temos de a dividir entre pagar dívida à banca e fazer algum investimento adicional. Uma coisa que sempre me fez impressão; os jogadores não são para andarem a ser vendidos. O objectivo é potenciar receitas ganhando títulos. Temos de criar condições para que os jogadores de topo fiquem cá e ganhem muitos títulos.

-O orçamento para 2015-2016 vai ser de 20 milhões indexado à presença na Liga dos Campeões?
E à camisola.

-Se o Sporting vender um jogador por 20 milhões, metade será para amortizar dívida e a outra metade para investir no plantel?
Não é linear. Temos um plano estruturado com os bancos. Não há um rácio 50/50. É verdade que nos valores líquidos de uma venda parte vai para dívida bancária e o restante pode ser reinvestido.

-Quanto dinheiro falta para que o pavilhão seja uma realidade?
Nenhum. A missão pavilhão era, ao todo, de 10 milhões de euros. O pavilhão propriamente dito custava 7,2 milhões mais IVA, agora são 7,4 milhões mais IVA. Para o pavilhão, que será inaugurado em Março de 2017, o dinheiro existe e está fechado. A verba em falta é para obras de manutenção do Multidesportivo."

3 comentários :

José Bastos disse...

Por amor de Deus, só não entende o que o Presidente transmitiu, quem não quer, ou quem anda muito distraído!
Passo a explicar: O MS, chega ao fim da época e diz que se quer ir embora (já tem tacho), porque se queixa de falta de condições, por isso falou nas tais sacanagens. O BdC que não é estúpido nenhum, diz que sempre o apoiou e conta com ele (mesmo sabendo que este andou a por-lhe a ele e aos Sportinguista os cornos, através do seu macaquinho empresário), e assim o Sporting exigirá uma indemnização, nem que tudo acabe em tribunal!
É uma pena ter se chegado a este ponto e este jovem treinador que lhe deram a grande oportunidade da vida em treinar um dos grandes, mal rodeado e sabe-se lá com que interesses, sempre se norteou por vontades antagónicas à sua entidade patronal.
Porque será que este é o único treinador do Sporting que foi tão apoiado pela CS?
Tudo serve de arma de arremesso para derrubar o BdC e o SCP!!!
Sportinguista, abram os olhos e deixem-se de guerrinhas contra aqueles que tudo estão a fazer para denunciarem o "sistema do colinho", e a reerguer o SCP!!!

Maria Costa disse...

Senhor Bastos,
O senhor tem provas do que acusa o Marco Silva?? Ou será parceiro do José Eduardo? Ou até do Bruno de Carvalho?
Tenho uma pena tremenda que o Marco saia de forma inglória, com o dono a morder-lhe por todos os lados.TRISTEZA,
Ficarei de camarote a assistir a queda do Sporting Bruno de Carvalho, para depois alguém como deve de ser, vir salvar o verdadeiro Sporting Clube de Portugal.
SL

Rui Cerdeira Fernandes disse...

É um facto que o nosso presidente tem feito obra mas no entanto é novo nestas andanças e então fala demais. Agora exigir uma indemnização a MS ?? Não me parece que seja esse o caminho até porque não temos factos para isso , muito pelo contrário.
O que é certo é que cada vez mais acredito que ele vá sair porque se fosse para ficar, Bruno já tinha serenado as águas.