sábado, 28 de março de 2015

Entrevista de Bruno de Carvalho(parte 4)


Faz um balanço muito positivo dos primeiros 2 anos de mandato na liderança do Sporting
"Sinto-me com a mesma força do inicio"

R- Ao longo deste dois anos qual foi o momento que mais o marcou como presidente do Sporting? Se tivesse de escolher uma situação negativa e outra positiva , quais seriam?
BdC- Em 1º lugar , olhar para estes dois anos é, sobretudo, entender aquilo que em tão pouco tempo conseguimos construir. E gostava que isso ficasse bem frisado : é um trabalho não apenas do presidente , mas de toda a equipa, neste caso da SAD e da administração. Em primeiro lugar , a reestruturação financeira. Foi algo extremamente importante, pois definiu regras  e a hipótese de sustentabilidade para todo o grupo Sporting. Todas as reestruturações anteriores tinham visado a SAD, mas esta visou aquilo que é o Mundo Sporting: o facto de não termos tido a necessidade de fechar modalidades (antes pelo contrário, até trouxemos mais) ; o facto de termos conseguido, dependendo da execução do dia a dia , a manutenção de uma estabilidade financeira que é absolutamente fundamental; a possibilidade de recuperação de passes de jogadores ; a possibilidade de conseguirmos fazer alguns investimentos no momento em que se conseguíssemos atingir o equilíbrio que se atingiu....foi um momento extremamente importante para nós. O recupera do orgulho sportinguista também foi importante. Começarmos a ver que o sportinguismo que estava acomodado, frio, cada vez mais distante, tem acompanhado todas as equipas e modalidades , nos bons e maus momentos , a dar um apoio tremendo , numa onda verde que se faz sentir e que acaba por ser o reflexo do que temos feito O facto de mal entramos termos apresentado propostas para o futuro do futebol português . Acreditamos que num desporto com mais credibilidade , mais rigoroso, no qual a competência seja mais importante. Podemos dizer que isto é um resumo daquilo que foram os últimos dois anos.

R- Mas, por enquanto, ainda só falou da parte positiva......
BdC- Tudo aquilo que são títulos , para nós, é visto como o mais positivo dentro do Sporting. Porque no fundo, , para além do todo o profissionalismo , somos um Clube. Um Clube ecléctico e que está virado para vencer . As Taças de Portugal no Andebol, os títulos no futsal, os títulos nas diversas modalidades que , felizmente, acontecem diariamente, sejam eles regionais, distritais, nacionais , europeus ou mundiais. Tudo o que são títulos é o mais importante e não podemos dizer o contrário. O momento negativo.....(pausa) Infelizmente , não temos ganho tudo em todo o lado. Isso só por si , já é negativo o suficiente , levando em conta os nosso objectivos . Mas, talvez ,este ultimo Dezembro. Pela verificação de que por vezes não basta o trabalho que estamos a fazer ou a realidade que se vive dentro do Clube. Ganhamos a noção de aquilo é percepcionado mesmo não tendo nada a ver com a realidade , pode tomar proporções como as que se verificaram em Dezembro . Isso talvez tenha sido o mais negativo, mas também o mais importante em termos de aprendizagem , para podermos começar a trabalhar de uma forma diferente na comunicação.

R- Provavelmente, esse terá sido o momento mais difícil que viveu.....?
BdC- Até agora sim. Sobretudo a nível de aprendizagem . Foi uma forte aprendizagem, mas num momento difícil. Ainda para mais , estava a tentar ter um pouco de tempo com a minha família , que infelizmente foi terrível. Este Natal e fim de ano não o desejo a ninguém, mas tomo-o como uma aprendizagem para o futuro. dentro do negativo , devemos tomar as coisa pelo lado positivo . Isto , claramente , sem contar o facto dos títulos , pois isso é o mais importante para mim e para toda a direcção.

R- Falou no âmbito familiar. Em algum momento questionou as razões que o levaram a assumir o desafio de ser presidente do Sporting?
BdC- Vou tentar ser muito sincero. Sinto-me exactamente com a mesma força do inicio. Agora , seria hipócrita se dissesse que há coisas que envolvem o mundo do futebol que não me têm deixado extremamente desagradado  e que já não me obrigaram a reflectir várias vezes . A força é muita. . Não tenho duvidas de que sou um homem de convicções . A nossa direcção  é igualmente de convicções e a nossa administração também. Sabemos aquilo que queremos e vamos lutar até ao fim por isso.Mas que não haja duvida nenhuma de que há vezes em que paro, olho para o mundo onde estou inserido - e não estou a falar do Sporting, pois já tinha noção do bom e do mau que acontece no Clube - e já me veio á cabeça se vale a pena , enquanto individuo, viver num Mundo que tem tanto que não aceito, que não faz parte da minha maneira de estar, no qual não acredito. Ambiciono um futuro melhor, mas há coisas no futebol e no desporto  que são quase contranatura á minha maneira de estar. Isso, ás vezes , faz-me parar durante breves segundos e questionar se fiz bem aceitar este desafio. Mas , passado esse tempo, toda a convicção vem ao de cima e continuo feliz a abraçar este projecto de alma e coração. 

"Acertar mais vezes do que errar"

R- Ao longo deste período o que é mudava na sua forma de gestão , se é que mudava?
BdC- Com certeza que há coisas que podíamos ter feito de outra forma mas o balanço é positivo. Num 1º período , numa fase de intervenção rápida e tão profunda quanto possível , sabíamos que íamos errar. Tínhamos era de de ter a capacidade e o engenho de acertar mais vezes do que as que errávamos . Mas, dizer que mudávamos alguma coisa quando o caminho está ser bem trilhado , sem ser pontualmente...não o mudaríamos.Agora , encontramo-nos  numa fase diferente. É importante saber que este equilíbrio em que estamos , com um ou dois disparates pode desequilibra-se. Na 1ª fase tivemos de fazer muitos cortes , depois sempre disse que iríamos começar a trazer um pouco de mais de know-how para dentro do Sporting e começamos a conseguir fazer investimentos , algo que já está a acontecer, tanto a nível do Clube como no pavilhão. neste momento, estamos numa etapa de consolidação e de começar a trazer o tal know-how especifico para começarmos a a tingir aquilo que são os nossos objectivos. Um erro grave , não vejo. Pontuais, sim, mas temos corrigido. 

"Exemplo europeu a nível de gestão"

R- Sobre o Fair -Play financeiro da UEFA : existe o perigo do Clube não estar nas competições europeias da próxima época , em virtude desta questão?
BdC- O Sporting vai participar nas competições europeias na próxima época. Hoje isso não é uma questão preocupante devido ao trabalho desta direcção: Se fizerem uma pesquisa , eu não a fiz, mas não acho que esteja errado, tendo em conta os períodos em causa , o Sporting deve ter sido o Clube da Europa com menos resultados nesta vertente. A reviravolta que fizemos é absolutamente reconhecida na UEFA . Uma reviravolta não expectável, financeiramente uma referência . O Sporting , neste momento , é um exemplo europeu a nível de gestão.

"Não há cisões na direcção do Sporting"

R-Muito se tem falado de eventuais cisões na direcção do SCP. Elas existem ou é tudo especulação? A direcção está unida e solidária para os próximos dois anos?
BdC-Essa pergunta é engraçada , pois gostava de ver uma estatística que o Record fizesse sobre aquilo que são as direcções dos Clubes. E quantas direcções em dois anos não tiveram mexidas. Gostava de ver isso e se calhar espantavam-se. É normal haver mexidas , seja naquilo que for. Aquilo que posso garantir é que , nas questões delicadas e extremamente importantes , foi sempre tudo decidido por unanimidade. nem sempre estamos todos de acordo , mas no que tem sido importante temos mantido uma maioria absoluta naquilo que são as nossa visões. Há questões pontuais , mas não se pode , jamais em tempo algum, falar em cisões na direcção do Sporting! Zero! Sobretudo porque isso dá uma ideia de uma direcção fragilizada e dividida e isso, garantidamente, nunca existiu nestes dois anos.

Não identifica ninguém com ideias novas
"Espera um mau momento não é oposição, é cobardia"

R- Vislumbra algum tipo de oposição dentro do Sporting?
BdC- Não. Mas seria hipócrita se não dissesse que não há um aparte ínfima de sportinguistas que teimam em.....é a velha frase do "eu não quero que isto continue como está". Mas depois , se formos esmiuçar , isto quer dizer, "não quero que continue como está , sem eu la´estar". É um grupo pequeno, mas mói. Principalmente através das redes sociais ou dos opinadores. Criticam tudo. Tudo. Seja o que for. O que de facto é estranho. Mas porque é que digo que não há oposição? Estive dois anos com esse papel.

R- Era inclusivamente rotulado como o rosto da oposição....
BdC- Exactamente. Se as pessoas forem ver tudo o foi dito , chegam á conclusão de que eram coisas especificas: a fusão, a reestruturação; dizendo que o que não concordava ; dizendo o que  faria. O que se passa neste momento não merece relevância. Renovou-se com o Matheus Pereira é mau. Não se renovou com o Djaló é mau também.....Não pode haver oposição , quando não há uma ideia nova.

R- Mas, nesta altura , consegue identificar um rosto da oposição?
BdC- Não existe nada, porque simplesmente não há oposição! Para ser oposição é preciso ter alguma dignidade, ideias, saber avaliar aquilo que está a ser feito e dizer aquilo que faria diferente. A parir do momento em que é a critica pela critica...muito pequena e limitada...não é nada.

R- Tudo isto deve-se ao facto de a actual direcção estar a presentar resultados , ou por outro lado, trata-se de uma oposição silenciosa que está á espera do momento certo?
BdC- Para mim, oposição é uma pessoa que tem uma ideia concreta , que não se revê em alguém  e , a partir daí, dá a cara e diz "sim senhor, vamos ". Esperar um mau resultado não é oposição, é cobardia. Os sportinguistas querem soluções . Os sócios querem estabilidade e, sobretudo , querem a garantia de que este projecto tenha consequências . parar estas medidas , todas estas propostas , todas estas filosofias.........

"Vou recandidatar-me"

R- O que o fará não se recandidatar á presidência daqui a dois anos?
BdC- Neste momento , absolutamente nada. Vou recandidatar-me . mas muitas vezes olho para o futebol e não o consigo assentar nos princípios por que me rejo.  Não me agrada ir ao ao café e perceber que há um estigma com as pessoas que estão no futebol. Somos todos uns aldrabões, uns vigaristas, vivemos num mundo que já está decidido. tento passar esta realidade e não consigo perceber que as pessoas que estão é frente do futebol não tenham uma grande preocupação com isto. Eu não consigo viver com isto e vou continuar a lutar. Um dia o futebol será reconhecido como um conjunto de pessoas que tentam trabalhar em prol do futuro. Mas isso não acontecerá por obra e graça do Espírito Santo. Só acontecerá quando os presidentes dos outros Clubes entenderem que têm de criar regras. 

R- Está colocado de parte o cenário de eleições antecipadas ? Só vai mesmo a votos daqui a dois anos?
BdC- De certeza absoluta!

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