domingo, 30 de novembro de 2014

O 4-3-3, o 4-4-2 e a dinâmica.


Depois de muito se falar no sistema táctico que o Sporting utiliza frequentemente não ser o suficiente eis que o nosso técnico mudou e........surpreendeu. E esta surpresa foi geral pois até o V. Setúbal , não estava á espera do 4-4-2.
Muito se falava ,se devido á falta de vitórias e de os adversários se fecharem tanto e nós em 4-3-3 não chegarmos tanto á área eis que a resposta foi , finalmente , dada neste jogo com o V. Setúbal.
Mas esta mudança táctica não é para ser o sistema habitual da equipa e como diz Marco Silva: "É conforme a estratégia de jogo e o que interessa é a dinâmica de jogo". 
Não podemos jogar com todas as equipas em 4-4-2 , como não podemos jogar com todas as equipas em 4-3-3. Esta foi a conclusão!
Esta matéria não é muito pacifica pois muitas equipas tem o seu sistema habitual , outro alternativo e talvez ainda outro, que será o do desespero(em caso de se estar a perder e em desespero). 
O Sporting assim tem: o 4-3-3 é o sistema habitual; o 4-4-2 é o sistema alternativo que coloca dois homens na área e depois talvez tenha um em caso de desespero.
Marco Silva ontem, surpreendeu-nos a todos pois não estávamos á espera que ele iniciasse logo em 4-4-2. Por isso nas substituições efectuadas não se poderia esperar outra coisa que não fosse pelas mesmas posições. Daí ter entrado médio por médio(João Mário por Adrien) e extremo por extremo(Carrillo por Mané). A entrada de Capel já foi diferente:a saída de F.Montero fez com que Nani derivasse para o meio e fosse ele o 2º avançado mas o facto é que jogámos sempre em 4-4-2. 
Pode-se dizer que o jogo teve mesmo o dedo de Marco Silva pois perante um adversário que se previa ser mais fraco entrámos logo a ......matar. Talvez já se tivesse feito antes...........
O que não mudou foi a pressão alta da equipa , o jogo rápido pelas alas e os cruzamentos. 
O que se pode pensar é que o nosso meio campo, menos povoado e neste 4-4-2, não pode ter tanto a bola com o perigo de ser pressionado. Não está mal pensado mas o SCP também sabia disso e o jogo impreterivelmente passou pelas alas o que deixa a pressão efectuada pelo adversário quase sem efeito. O nosso meio campo teria muita bola se o adversário recuasse muito e aí sim os médios poderiam recuar para construir jogo.
O Vitória tentou pressionar a saída de bola do Sporting mas como o Sporting estava mais estendido no relvado, mais rápido e a sair mais pelos lados , essa pressão foi ineficaz.
Aqui chegamos á dinâmica de jogo. Então em 4-3-3 também não conseguimos ter esta dinâmica?? Claro que sim!! 
O que acontece é que os adversários já sabem como o Sporting joga e continuam a jogar atrevidamente contra o SCP e por exemplo com o FC Porto jogam recuados. Porquê ??
Mas não vamos por aí!!
Nós em 4-3-3 já provámos que também temos grande dinâmica mas como jogos são jogos há que saber interpretar essa diferença e rectificá-la em campo para manter essa dinâmica. E isto a equipa denotou dificuldades em fazer até agora. São as dores de crescimento pois futebol não é só chutar uma bola e é compreender todo um conjunto de factores que mudam constantemente e a experiência dos jogadores conta muito. Por isso quando são jovens as coisas podem demorar o seu tempo.
Pois ...os jogadores também estudam as jogadas e o posicionamento e aqueles que não o conseguirem interpretar terão os seus dias contados.
Há quem diga que em vez do 4-4-2 , o Sporting terá jogado em 4-2-3-1 !  Também não estará errado pensar assim pois , Montero , ao recuar para nº 10 faz com que Slimani prenda os defesas centrais e que o Colombiano  jogue mais entre linhas que é o que é mais penoso para muitas equipas e então podemos ver esse 4-2-3-1 desenhado no campo.
Marco Silva no fim estava satisfeito: 
"Senti uma boa reacção. Foi um bom jogo e de sentido único. Não chegámos ao golo nos primeiros 25 minutos por mero acaso. É normal que comece a haver ansiedade a partir daí. Nunca deixámos de acreditar. Sabíamos que depois do primeiro golo, seria mais fácil. Os jogadores estiveram sempre bem e com um futebol fluído. É importante acabarmos o jogo a vencer e sem sofrer golos. A equipa foi excelente colectivamente e tem de ganhar de forma assídua para alcançar os objectivos. Foi um jogo de sentido único, onde não permitimos sequer uma oportunidade de golo ao nosso adversário. Na segunda parte entrámos fortes e sabíamos que quando entrasse o primeiro golo, o desenrolar seria este mesmo. Colectivamente a equipa correspondeu. Alterámos um pouco a nossa estrutura, mas não muito, pois o Fredy Montero também gosta de ir buscar jogo entrelinhas. Conseguimos tirar proveito disso e ambos os atacantes marcaram golo, o que acaba por ser importante para eles. Estou satisfeito pelo comportamento dos atletas e parabéns pela exibição. Estou satisfeito, acima de tudo."
Como podemos verificar em alguns jogos iremos jogar de uma forma e em outros jogos escolheremos outro sistema. O que é certo é que uma equipa que sabe interpretar bem os dois sistemas está sempre em vantagem em relação aos seus adversários. E o mais importante é que nunca saberá como o Sporting se apresentará em campo.
A isto se chama cultura táctica.
Bravo Marco Silva.
Bravo equipa.
Bravo Sporting.

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